Os acidentes rodoviários envolvendo animais selvagens, em particular javalis, continuam a representar um problema de segurança nas estradas de Trás-os-Montes. A presença de extensas áreas florestais e rurais, aliada à expansão das populações de javalis e à crescente aproximação destes animais das zonas habitadas, contribui para aumentar o risco de colisões em diferentes estradas da região.

Dados da GNR mostram que, no primeiro semestre de 2025, foram registados 1.403 acidentes classificados como atropelamentos de animais em Portugal, praticamente em linha com os 1.400 contabilizados no mesmo período de 2024. Estes acidentes provocaram três feridos graves e 50 feridos ligeiros em 2025.

Embora os números sejam nacionais, a problemática assume particular importância em regiões como Trás-os-Montes, onde a proximidade entre as vias rodoviárias, áreas florestais e terrenos agrícolas cria condições favoráveis à circulação de fauna selvagem.

Valpaços entre os territórios onde o risco merece atenção

No contexto transmontano, o concelho de Valpaços merece também atenção. O território, integrado no Alto Tâmega e abrangido pelo Programa Regional de Ordenamento Florestal de Trás-os-Montes e Alto Douro, apresenta extensas áreas rurais e florestais, criando uma forte proximidade entre as vias rodoviárias e os habitats utilizados pela fauna selvagem.

A circulação de animais junto às estradas representa, por isso, um risco que deve ser tido em conta pelos automobilistas que percorrem o concelho, sobretudo durante a noite e em troços próximos de zonas florestais, agrícolas e de menor ocupação humana.

Valpaços apresenta ainda uma realidade rodoviária que justifica uma atenção particular à prevenção. Um estudo de caracterização da proteção civil da região identificava o concelho como um dos territórios do Alto Tâmega com maior média anual de ocorrências relacionadas com acidentes, incluindo atropelamentos rodoviários, colisões e despistes.

Embora estes dados não permitam atribuir diretamente essas ocorrências à presença de animais selvagens, ajudam a enquadrar a importância da segurança rodoviária no concelho e da identificação de fatores de risco específicos, como a travessia de fauna.

Assim, nas estradas de Valpaços e na ligação a concelhos vizinhos como Mirandela, Chaves, Murça e Vinhais, a sinalização adequada, a identificação dos locais de passagem de animais e a adoção de medidas preventivas podem contribuir para reduzir o risco de colisões.

Para os condutores, a recomendação mantém-se: reduzir a velocidade em zonas de maior risco, sobretudo durante a noite, manter uma atenção redobrada às bermas e evitar manobras bruscas perante o aparecimento de um animal na faixa de rodagem.

O risco das colisões com javalis

No caso específico dos javalis, o problema assume particular relevância devido ao porte e ao comportamento dos animais. Uma colisão, sobretudo a velocidades elevadas, pode provocar danos significativos nos veículos e resultar em acidentes graves quando os condutores tentam efetuar manobras bruscas para evitar o animal.

Nas estradas transmontanas, onde existem vários troços com reduzida iluminação, curvas, zonas arborizadas e menor densidade populacional, a deteção de um animal pode acontecer apenas a curta distância. Durante a noite, o risco é ainda maior.

Problema também identificado pela Infraestruturas de Portugal

A Infraestruturas de Portugal (IP) acompanha há vários anos a mortalidade de fauna nas estradas através de um programa de monitorização criado em 2010.

No relatório referente a 2024, foram registados 1.674 atropelamentos de animais nas vias sob gestão da IP. Foram identificados quatro pontos críticos, bem como troços com maior incidência de acidentes envolvendo ungulados, grupo que inclui javalis e cervídeos, devido aos riscos acrescidos que representam para a segurança rodoviária.

Os números mostram também que o problema não é exclusivamente recente. Em 2022, a IP tinha contabilizado 2.147 atropelamentos de animais, tendo identificado oito pontos críticos nas estradas sob a sua gestão.

Para Trás-os-Montes, a monitorização destes pontos de maior incidência assume especial importância, permitindo identificar os locais onde a passagem de animais ocorre com maior frequência e definir medidas de prevenção adequadas às características de cada estrada.