A vindima já arrancou em várias zonas de Trás-os-Montes com boas expectativas quanto à produção e à qualidade das uvas. No entanto, no concelho de Valpaços, a campanha deste ano fica inevitavelmente marcada pelos incêndios que atingiram extensas áreas agrícolas, provocando danos significativos nas vinhas e noutras culturas.

Nas aldeias afetadas pelo fogo, o cenário é contrastante. Enquanto algumas vinhas resistiram às chamas e permitem aos agricultores avançar com a colheita, noutras as uvas permanecem nas videiras queimadas, sem possibilidade de serem aproveitadas.

Só no concelho de Valpaços foram contabilizados 304 hectares de vinha afetados pelo incêndio, numa região onde a vitivinicultura assume um papel importante na economia e no rendimento de muitas famílias.

Os prejuízos, contudo, não se ficam pela vinha. O incêndio atingiu igualmente outras culturas de grande importância para o concelho, nomeadamente o olival e o amendoal, agravando as perdas dos agricultores numa região fortemente dependente da atividade agrícola.

Produção regional deverá aumentar 15%

Apesar dos danos provocados pelos incêndios em algumas zonas, as perspetivas para a região vitivinícola de Trás-os-Montes são globalmente positivas.

Este ano, a vindima iniciou-se também mais cedo do que o habitual, acompanhando uma tendência verificada noutras regiões do país. A região vitivinícola de Trás-os-Montes, que se estende entre Montalegre e o planalto mirandês, conta com cerca de 11.010 hectares de vinha.

De acordo com as previsões divulgadas pelo Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) no início de agosto, a produção regional deverá crescer cerca de 15% em 2026, face ao ano anterior.

Em 2025, Trás-os-Montes produziu aproximadamente 84 mil hectolitros de vinho. Para este ano, as estimativas apontam para uma produção próxima dos 94 mil hectolitros.

Em Valpaços, uma vindima marcada pela perda

A expectativa de uma boa campanha regional contrasta, assim, com a realidade vivida por muitos produtores de Valpaços. Para quem perdeu total ou parcialmente as suas vinhas, esta não será apenas mais uma vindima.

Entre os cachos que conseguiram sobreviver e as videiras destruídas pelas chamas, os agricultores enfrentam agora o desafio de reconstruir aquilo que o fogo levou, num processo que poderá prolongar-se por vários anos.

O concelho procura, desta forma, iniciar uma vindima que se prevê positiva em termos regionais, mas que, para muitas famílias afetadas pelo incêndio, ficará marcada pela perda de produção, pelos prejuízos económicos e pela necessidade de recuperar as terras e as culturas destruídas.