Calor e falta de chuva condicionaram a produção na região de Valpaços. Apesar da quebra na quantidade, os produtores destacam a boa qualidade e o calibre do fruto.
A campanha da castanha já está em curso na serra da Padrela, no concelho de Valpaços, mas este ano está a ser marcada por uma quebra significativa na produção e por uma antecipação da apanha, devido às temperaturas elevadas e à falta de precipitação durante o verão.
Nos soutos da região, uma das principais zonas de produção de castanha do distrito de Vila Real, os agricultores enfrentam uma campanha menos favorável em termos de quantidade. Ainda assim, há motivos para algum otimismo, uma vez que a qualidade do fruto e o seu calibre estão a corresponder às expectativas.
Artur Esteves, residente em Cabanas, na União das Freguesias de Carrazedo de Montenegro e Curros, possui cerca de 80 hectares de soutos, com aproximadamente oito mil castanheiros. Para esta campanha, estima colher entre 50 e 60 toneladas de castanha, um valor bastante inferior ao de anos anteriores.
«Este é um ano fraco, vai haver pouca castanha», reconhece o produtor, que destaca, contudo, a boa qualidade do fruto e um calibre superior ao registado no ano passado.
Dedicado à produção de castanha desde a década de 1980, com o apoio da mulher e dos dois filhos, Artur Esteves recorda que, em 2019, chegou a colher 122 toneladas. Em 2025, a produção rondou as 100 toneladas, números que dificilmente serão alcançados este ano. Ainda assim, ressalva que a apanha está apenas no início e que os valores finais poderão sofrer alterações.
Também José Sousa, de 61 anos, e Armanda Sousa, de 60, residentes em Tazém, na União das Freguesias de Padrela e Tazém, sentem os efeitos das condições meteorológicas adversas. O casal está a realizar a apanha por conta própria e confirma que, apesar da qualidade da castanha, a quantidade é inferior ao desejado.
Segundo José Sousa, o prolongamento do calor durante o verão, aliado à escassez de chuva, prejudicou a produção, contribuindo para uma campanha mais fraca.
A estes constrangimentos juntam-se os custos de produção, que continuam a pesar cada vez mais na atividade agrícola. Combustíveis, adubos, tratamentos fitossanitários e mão de obra representam encargos crescentes para os produtores, reduzindo a margem de rendimento.
Apesar das dificuldades, há uma nota positiva: o escoamento da castanha está garantido, permitindo aos agricultores perspetivar a comercialização da produção disponível.
Feira da Castanha Judia regressa a Carrazedo de Montenegro
É neste contexto que Carrazedo de Montenegro volta a receber a Feira da Castanha Judia 2026, entre os dias 6 e 8 de novembro, um dos eventos de referência na valorização deste produto emblemático do concelho de Valpaços.
A iniciativa constitui uma oportunidade para promover a castanha da região, valorizar o trabalho dos produtores e dar visibilidade a uma atividade agrícola fundamental para a economia local.
Num ano marcado pela redução da produção, mas com boas perspetivas quanto à qualidade do fruto, a feira assume particular importância na promoção da castanha judia e na afirmação da serra da Padrela como território de excelência na sua produção.
