A 6 de novembro de 1836 foi criado o concelho de Valpaços por decreto de D. Maria II. Ao novo concelho, que incorporou o extinto concelho de Água Revez, foram alocadas as freguesias de Alhariz, Argeriz, Ervões, Fornos do Pinhal, Possacos, Rio Torto, Sanfins, Vassal, Vilela e Vilarandelo, por carta de lei de 27 de setembro seguint
A sua constituição atual, com uma história deveras singular, resulta do fortalecimento do Liberalismo na 2.ª metade do séc. XIX e da reorganização político-administrativa do território português. Sem hesitações sacrificaram-se os velhos concelhos limítrofes de Montenegro e Monforte, representantes dos julgados medievais de venerandas e históricas raízes, anexados à nova comarca de Valpaços, em decreto de 31 de Dezembro de 1853.
Monforte de Rio Livre era uma vila e sede de concelho de Portugal, localizada na atual freguesia de Águas Frias, no município de Chaves. Teve foral em 1273, vindo a ser suprimido em 1853. A importância da vila esteve ligada ao seu castelo, sendo por isso alvo de diversos cercos e lutas, em especial durante a guerra da Restauração entre 1640 e 1668. No início do século XIX, a vila encontrava-se despovoada e a sede do município tinha sido transferida para a freguesia de Lebução.
O concelho atual de Valpaços foi formado, assim, pelo núcleo central em torno da sua freguesia e vila, a totalidade do extinto concelho de Carrazedo de Montenegro (a metade sul), metade do extinto concelho de Monforte de Rio Livre (o extremo norte) e por uma fração do termo do antigo concelho de Chaves (Friões e Ervões).
Elevação a vila e a cidade
Valpaços, então designada por Valle Passos, foi elevada a vila por D. Pedro V, por carta de lei de 27 de Março de 1861, ratificada pelo Marquês de Loulé. Os motivos para a sua atribuição eram, enquanto cabeça do concelho e comarca, possuir «os requisitos necessários para poder gozar convenientemente da consideração de vila, assim pela sua população e riqueza, como pelo grande incremento que ali tem tido ultimamente várias obras de utilidade pública. Tendo outrossim em contemplação o testemunho que o povo daquele lugar tem constantemente dado de nobre homenagem e devoção ao trono e instituições constitucionais da monarquia.
Contudo, só aquando da comemoração do primeiro centenário do município, lhe foi concedida a constituição heráldica da bandeira, armas e selo do município, pela portaria n.º 8 426 de 4 de Maio de 1936. Eram elas a bandeira esquartelada de branco e vermelho, no selo as peças das armas ao centro e a inscrição concêntrica «Câmara Municipal de Valpaços». Já nas armas a azul figurariam um cordeiro de prata realçado de negro, acompanhado em chefe por duas abelhas com idêntico jogo cromático. Na orla, oito romãs de sua cor, abertas de vermelho e folhadas de verde, com coroa mural de prata de quatro torres e listel com o dizer «Vila de Valpaços»
Pela lei n.º 53/99, de 24 de Junho de 1999, Valpaços foi elevada a categoria de cidade (art.º 1.º), com efeitos legais a partir de 1 de Novembro do mesmo (art.º 2.º). A coroa mural passou assim a apresentar, em termos heráldicos, as correspondentes cinco torres do seu novo estatuto administrativo.
