A Vasp, empresa que distribui jornais e revistas em Portugal, está a reavaliar rotas diárias em oito distritos, que considera deficitários em termos de receitas e tem vários cenários em aberto ‘em cima da mesa’: “Na ausência de soluções que assegurem a manutenção integral do serviço nos atuais moldes, a VASP informa que se encontra a avaliar a necessidade de proceder a ajustamentos em determinadas rotas, nomeadamente nos seguintes distritos: Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança“.
O “Valpaços Online” aponta janeiro como data para a entrada em vigor da decisão face às rotas nos referidos distritos, e que pode implicar o seu abandono. Data que fonte da Vasp não confirma, afirmando, no entanto, que há vários cenários ‘em cima da mesa’ e que a situação é difícil face à subida dos custos, aos baixos índices de venda e à redução das receitas. Há oito publicações diárias.
A Vasp assegura que “nenhuma decisão definitiva foi ainda tomada, estando esta avaliação em curso com o objetivo de encontrar alternativas que minimizem o impacto sobre editores, pontos de venda e populações”. O Governo, recorde-se, ainda não avançou com o plano para apoiar a distribuição de jornais e revistas que chegou a anunciar no primeiro executivo de Luís Montenegro.
A subida dos custos e a sustentabilidade
A empresa do grupo Bel, do empresário Marco Galinha, aponta para uma situação financeira exigente: “A VASP – Distribuição e Logística, S.A. atravessa, neste momento, uma situação financeira particularmente exigente, resultante da continuada quebra das vendas de imprensa e do aumento significativo dos custos operacionais, que colocam sob forte pressão a sustentabilidade da atual cobertura de distribuição de imprensa diária”.
Por isso, explica, “esta conjuntura tem impacto direto na viabilidade da distribuição diária de imprensa em pontos de venda, sobretudo nas regiões do interior do País, obrigando a empresa a reavaliar o seu modelo operativo e logístico”.
A VASP diz-se “comprometida com o acesso universal à informação, entendendo-o como um pilar essencial da coesão territorial, da igualdade de oportunidades e do exercício pleno da cidadania democrática. A restrição desse acesso penaliza de forma injusta as populações de territórios de baixa densidade e aprofunda as assimetrias regionais”. Já há dois locais sem acesso a informação diária impressa atualmente: Marvão e Vimioso.
“Não obstante este compromisso, e mantendo total respeito pelos acordos assumidos com editores e pontos de venda, a empresa vê-se obrigada a estudar uma revisão da atual configuração de algumas rotas de distribuição, de forma a salvaguardar a continuidade global da operação e evitar um cenário de insustentabilidade financeira que colocaria em risco a totalidade da atividade da distribuição de imprensa em Portugal”, salienta ainda.
A VASP diz-se disponível para continuar um “diálogo construtivo com editores, entidades públicas e demais parceiros institucionais” para encontrar soluções.
