Historicamente, o casamento era visto como o porto seguro para a satisfação amorosa.

No entanto, na contemporaneidade, muitos casais se deparam com um paradoxo: nunca fomos tão livres para falar sobre sexo, mas nunca as pessoas se sentiram tão exaustas para praticá-lo.

O desejo, passou a ser tratado como um artigo de luxo, algo valioso, raro dentro do casamento e que poucos conseguem “pagar” o preço em termos tempo, disposição, prioridade e energia.

O maior inimigo do desejo não é a falta de amor, mas a exaustão. No modelo de vida atual, o dia é consumido por dias de trabalho extensos, tarefas domésticas e o gerenciamento da vida pessoal e digital.

Quando o casal finalmente se deita, o que sobra é o desejo pelo sono, não pelo outro.

Nesse cenário, o sexo deixa de ser uma forma de conexão e passa a ser visto como “mais uma tarefa” na lista de afazeres, perdendo o seu caráter de prazer e ludicidade.

Em 24 horas, um casal pensa em mil coisas e o sexo geralmente não é uma delas. O sexo virou algo tão raro que, em num dia inteiro, mal se pensa nisso. Entre trabalho, filhos e obrigações, o desejo vai ficando para o final da fila.

O mais curioso é que isso vai acontecendo devagar. Ninguém percebe, no primeiro “hoje não, estou cansada” ou “não estou bem disposta”.

Às vezes, um dos dois ainda tenta. Manda mensagem. Faz carinho. Tenta um beijo. Mas, acaba por se cansar de tanto se sentir rejeitado, levando por vezes à separação.

E a cama, que antes era um ninho de amor, passa a ser um deserto.

E com a chegada dos filhos altera a dinâmica erótica. A dedicação extrema ao cuidado com as crianças, muitas vezes faz com que esqueçam os seus papéis como homem e mulher para viverem exclusivamente como pai e mãe.

O quarto do casal, que deveria ser um templo de intimidade, transforma-se num quarto familiar, e o erotismo acaba por ser sufocado pela logística.

Para tirar o desejo da prateleira de “luxo” e trazê-lo de volta ao cotidiano, algumas mudanças são fundamentais.

O luxo, afinal, não deveria ser o sexo em si, mas o tempo que nos permitimos dedicar a quem amamos.

ᴬᵈᵉˡᵃⁱᵈᵉ ᴼˡⁱᵛᵉⁱʳᵃ