Sou totalmente contra esta medida. E digo-o com o peso da experiência, com a responsabilidade de quem anda há décadas na estrada e com o coração de quem já viu demasiadas cadeiras vazias à mesa.

Aprender a conduzir com tutor? Mas que tutor?

Vamos ser claros:

O condutor comum é, regra geral, o que menos se atualiza. Conduz por hábito, por vício, por repetição. Não por conhecimento.

Os vícios que acumulou ao longo de anos, travagens mal feitas, olhares que não se fazem, prioridades “interpretadas”, excessos normalizados, distrações banalizadas, vão ser passados aos novos condutores como se fossem boas práticas.

E depois perguntamo-nos porquê?

Para quê anos de estudo dos Instrutores?

Psicologia; Direito Rodoviário; Mecânica; Pedagogia; Cidadania; Avaliação contínua; Atualizações constantes.

Para agora qualquer pessoa ser “tutor” sem formação, sem avaliação, sem responsabilidade?

Pessoas que tiraram a carta há 20, 30 ou 40 anos, que nunca mais abriram o Código da Estrada, que desconhecem alterações legais, novas sinalizações, novas realidades do trânsito moderno… vão ensinar?

Em Portugal morrem cerca de 600 pessoas por ano em sinistros rodoviários, (Seiscentas).

Não são números.

São pais que não chegam a casa.

São filhos que não regressam.

São famílias destruídas.

E perante isto, em vez de privilegiarmos a formação, em vez de investirmos em melhores programas, em vez de reforçarmos a formação teórica e prática, em vez de valorizar os instrutores, vulgariza-se a formação.

Falo de soluções reais:

  • Formação contínua obrigatória para condutores
  • Melhoria séria da formação prática em via pública.
  • Mais horas, mais acompanhamento, mais consciência
  • Valorização de quem ensina com conhecimento e responsabilidade. E agora… caímos no ridículo desta lei.

Gostava sinceramente de perguntar ao Senhor Ministro: faz a mínima ideia do que é dar aulas na via pública?

Sabe o que é gerir medo, inexperiência, pressão, trânsito real?

Ouvi-lo falar é ouvir quem parece dono da razão, mas quem decide em gabinete não sofre as consequências no asfalto.

Espero estar enganado. Mas, infelizmente, não é ele que vai pagar o preço.

O preço vai ser pago em:

  • mesas com lugares vazios aniversários sem abraços
  • telefonemas que ninguém quer receber
  • A estrada não perdoa amadorismos.
  • A formação salva vidas.

Tudo o resto é ilusão… e a ilusão, na estrada, mata…

Será que vale a pena continuar o trabalho???

ᴰᵒᵐⁱⁿᵍᵒˢ ᔆⁱᵐᵒ̃ᵉˢ – ⁽ᴵⁿˢᵗʳᵘᵗᵒʳ ᵈᵃ ᴳᴺᴿ⁾