Para evitar efeitos no cérebro, há uma idade em que é crucial abandonar de vez o consumo de álcool, alerta neurologista.
Perante estudos que parecem quase incentivar o consumo de álcool, o neurologista norte-americano Richard Restak insurge-se, dizendo que tem “grande dificuldade” em considerar o álcool, que se sabe provocar a morte de células cerebrais, como sendo benéfico ou mesmo sendo inócuo no desenvolvimento de demência.
Num artigo que escreveu para o jornal britânico Daily Mail, o especialista refere que o consumo de álcool, mesmo que leve a moderado, nunca é benéfico. “Não existem evidências de que o álcool prejudique apenas a memória, deixando outros processos cognitivos ilesos. Pelo contrário, o álcool exerce efeitos prejudiciais sobre a cognição em geral, resultando, nos estágios finais, em demência”, escreve o médico.
O mesmo texto refere um estudo recente que se focou em mais de um milhão de casos de demência em França e com o qual se concluiu que o consumo excessivo de álcool foi identificado como um dos maiores fatores de risco de demência, sendo até mais alto do que para a hipertensão ou diabetes.
Já num outro estudo, realizado no Reino Unido, com 25 mil participantes, concluiu-se que não há uma dose segura para o álcool. Além disso, os investigadores concluíram que o álcool conduziu a alterações associadas à diminuição da memória e demência.
Por isso, o médico, recomenda mesmo uma idade crucial para abandonar de vez o consumo de álcool. “Aconselho todos os meus pacientes a absterem-se completamente de álcool até aos 70 anos, no máximo. Aos 65 anos, as pessoas possuem menos neurónios do que tinham. Portanto, faz sentido eliminar o álcool numa época da vida em que é necessário conservar o maior número possível de neurónios”, refere o médico.
