Dos combustíveis ao crédito à habitação.
O conflito militar no Médio Oriente está a provocar uma escalada nos preços da energia, com o petróleo a atingir máximos de um ano e os futuros do gás europeu a subirem 40%. Em Portugal, os combustíveis deverão ser os primeiros a refletir este impacto, com possíveis aumentos já na próxima semana.
Uma guerra, mesmo que distante, tem implicações na economia global, sobretudo quando os países em causa têm peso quer na produção quer no transporte de matérias-primas fundamentais para fazer rolar o motor da economia.
Neste caso, os ataques dos EUA e Israel ao Irão, que rapidamente se transformaram num conflito regional, já estão a ter implicações nos preços da energia, com o petróleo a disparar para máximos de um ano, e os contratos dos futuros do gás natural na Europa a escalar 40%.
De acordo com os analistas, o impacto real no bolso das famílias vai depender da duração deste conflito.
O impacto em Portugal
Os conflitos na região do Golfo terão impacto na economia portuguesa principalmente através dos preços, sendo que poderão também colocar pressão sobre as contas públicas, nomeadamente após o choque causado pelas tempestades, apontam economistas à Lusa.
“O impacto mais visível do conflito será nos preços dos combustíveis e também eletricidade”, indicou à Lusa Ricardo Amaro, lead economist para a Zona Euro da Oxford Economics, acrescentando que ainda há “vários cenários em cima da mesa neste momento”.
A estimativa para o barril do petróleo situa-se perto dos 80 dólares no próximo trimestre, mas com um regresso para os níveis de janeiro no verão, notou, “com a média anual ficando-se pelos 68 dólares por barril, apenas ligeiramente acima dos 65 dólares previstos pelo governo no Orçamento do Estado”.
Ainda assim, há riscos que poderão aumentar os efeitos, dependendo da duração do conflito ou da possibilidade de um impacto mais agressivo no curto prazo, “particularmente se o Irão conseguir suspender a circulação no estreito de Ormuz de forma prolongada”, alertou.

Barril já ultrapassou os 85 dólares
O barril de Brent para entrega em maio atingiu hoje os 85,12 dólares, o valor mais alto desde julho de 2024, tendo subido cerca de 8%.
Os preços do petróleo continuam a subir, com os investidores receosos face ao conflito no Médio Oriente. Os mercados temem que o conflito se prolongue além do previsto, podendo provocar perturbações no abastecimento, face a limitações no Estreito de Ormuz.
Do outro lado do Oceano Atlântico, o equivalente, o West Texas Intermediate, para entrega em abril, subiu 7,36% para 76,47 dólares.
O estreito de Ormuz é a principal rota de transporte de petróleo e gás do mundo, por onde passam cerca de um em cada cinco barris de petróleo, sendo que qualquer interrupção nesta via tem um impacto imediato na economia mundial, de acordo com a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos.
Os ataques de Israel e dos Estados Unidos já fizeram 787 mortos desde sábado. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares norte-americanos.
