Há imagens que dispensam qualquer explicação. São o reflexo de uma tragédia que jamais será esquecida por quem a viveu.
No passado dia 30 de julho, um seguidor do Valpaços Online, durante a viagem de regresso de Roterdão para Lisboa, a bordo do voo Transavia HV5243, captou um momento verdadeiramente impressionante. Quando a aeronave seguia a cerca de 10.000 metros de altitude, a gigantesca nuvem de fumo provocada pelo incêndio que assolava o concelho de Valpaços era perfeitamente visível a partir da janela do avião.
Aquela imensa mancha cinzenta, que rasgava o horizonte, não era apenas fumo. Era o retrato de uma terra em sofrimento. Era o reflexo das chamas que consumiam florestas, culturas agrícolas, animais, armazéns e o trabalho de uma vida inteira de muitas famílias.
Enquanto centenas de operacionais combatiam incansavelmente o incêndio no terreno e a população lutava para salvar o que ainda era possível, a dimensão da tragédia tornava-se evidente até para quem sobrevoava Portugal. A milhares de metros de altitude, Valpaços fazia-se notar pela pior das razões.
Esta fotografia ficará para a memória como um testemunho da violência deste incêndio e da sua dimensão. Uma imagem que nos recorda que as cicatrizes deixadas pelo fogo vão muito além da área ardida. Ficam gravadas na paisagem, na economia local e, sobretudo, no coração de todos aqueles que viram a sua terra arder.
Porque há tragédias que não se medem apenas em hectares queimados. Medem-se em histórias interrompidas, em vidas marcadas e em sonhos reduzidos a cinza.
Raúl Garcia
