Infelizmente, tenho de admitir: somos um país de “pamonhas” ridículos até ao tutano.
Abrem-se telejornais com profundíssimas análises sobre a verdadeira tragédia nacional.
Não é a inflação.
Não é a habitação.
Não é o Orçamento do Estado.
Não é a Constituição que agora se pretende mexer, apesar de tal não constar dos programas eleitorais.
Não são os cozinhados que fervem lentamente na panela do jogo político.
Nada disso.
O que realmente paralisa a nação é Cristiano Ronaldo.
Um jogador abandona o estágio da Seleção e, de repente, Portugal entra em estado de emergência emocional. Especialistas aparecem, comentadores dissecam, jornalistas interrogam e o país inteiro parece convocado para uma comissão parlamentar de inquérito à birra do menino rico.
Tudo isto por causa de um homem que construiu, com suor, talento e trabalho, um legado extraordinário, mas que parece, por vezes, esquecer que um legado também se honra sabendo quando o ego deve ficar no banco.
E assim vamos nós.
Milhões de portugueses a fazer contas à vida, enquanto os telejornais fazem contas aos milhões, aos egos e às birras.
Antigamente discutíamos o preço do pão.
Hoje discutimos se Sua Excelência ficou amuado.
Portugal mudou. A pobreza continua. Mas pelo menos já sabemos quem está chateado.
JGaspar
