Uma oliveira não cresce de um dia para o outro. Precisa de raízes fortes, de tempo, de cuidado e de passar por todas as estações. Não precisa de se apoiar noutras árvores, nem de lhes roubar a luz para dar os seus frutos. Cresce à sua maneira, com firmeza, e é o tempo que acaba por revelar a qualidade daquilo que produz.

Também na apanha da azeitona aprendemos uma lição importante: nem todas as azeitonas amadurecem ao mesmo tempo, nem todas têm a mesma qualidade. Há frutos que, por fora, parecem perfeitos, mas só quando são transformados em azeite se percebe verdadeiramente o seu valor.

Na vida, acontece o mesmo com as pessoas.

Há quem queira chegar mais longe à custa dos outros, quem use amizades como degraus, quem vista uma máscara conforme a pessoa que tem à frente e quem não hesite em pisar alguém para subir mais um lugar. Confunde-se ambição com falta de carácter e esperteza com inteligência.

Mas há uma coisa que o tempo não perdoa: a verdade acaba sempre por vir ao de cima. Tal como o azeite se separa da água, também as atitudes acabam por distinguir quem tem princípios de quem apenas sabe representar.

Não precisamos de ser melhores do que os outros. Precisamos de ser melhores do que aquilo que éramos ontem. Não precisamos de derrubar ninguém para crescer, nem de mudar de rosto conforme os interesses. Quem tem raízes firmes não precisa de destruir as raízes dos outros.

E, no fim, quando chegar o tempo da colheita, cada um dará aquilo que cultivou.

Porque uma vida construída à custa dos outros pode até parecer abundante durante algum tempo, mas nenhuma árvore se torna verdadeiramente grande por crescer à sombra da dignidade que roubou a alguém.

Cultivem o carácter como quem cuida de uma oliveira…com paciência, verdade e raízes profundas. Porque os frutos podem impressionar à primeira vista, mas é a qualidade do que está por dentro que determina o verdadeiro valor.

Ricardo Almeida