O ouriço da castanha é um dos sistemas de dispersão de semente mais extraordinariamente engenheirados disponíveis na flora portuguesa e a sua arquitectura responde simultaneamente a vários problemas evolutivos diferentes com uma única estrutura.

Os espinhos externos, endurecidos pela deposição de queratina durante o desenvolvimento do ouriço, têm geometria e rigidez optimizadas para duas funções opostas: dissuadir predadores que tentam aceder às castanhas antes da maturação, e permitir o impacto com o solo de 15 a 20 metros de altura sem danificar as castanhas internas. A forma esférica com espinhos garante que o ouriço não rola mas salta ao impacto, e o acolchoamento interno de ar e de fibras suaves absorve o choque.

A abertura é programada por temperatura: quando a temperatura noturna cai consistentemente abaixo de 8°C, o que em Portugal continental acontece entre meados de outubro e meados de novembro dependendo da altitude e da região, o ouriço abre em 4 secções simétricas, expondo as castanhas ao solo. Esta temperatura de abertura coincide exatamente com o período em que o javali, o gaio e outros dispersores estão mais ativos na busca de alimento para as reservas de Inverno.

O castanheiro tem uma estratégia de produção de semente chamada “mast seeding”, anos de produção extraordinariamente alta alternando com anos de produção baixa, em sincronização com outros castanheiros da mesma área. Esta irregularidade colapsa os ciclos populacionais dos predadores de semente: nenhum animal consegue aumentar a população suficientemente num único ano de abundância para consumir toda a produção.

Em Portugal, o castanheiro sobreviveu durante séculos como árvore fundamental da economia rural a castanha era o “pão dos pobres” no Inverno antes de a batata se estabelecer como cultura de subsistência.