O grilo não tem termómetro. Mas o ritmo com que canta é tão consistentemente proporcional à temperatura que o físico americano Amos Dolbear publicou em 1897 uma fórmula para calcular a temperatura a partir do canto e a fórmula é precisa a ±1°C.

A Lei de Dolbear funciona porque o canto do grilo é produzido por um mecanismo puramente mecânico, a frição de uma estrutura dentada numa asa contra um raspar na outra asa, chamada estridulação. Este mecanismo é controlado por músculos cujo funcionamento varia diretamente com a temperatura: a taxa de contração muscular é proporcional à temperatura corporal, que por sua vez segue a temperatura ambiente (os grilos são ectotérmicos, a temperatura do corpo depende do ambiente).

O resultado é que o ritmo de chiado é literalmente um termómetro biológico: conta os chiados em 14 segundos e adiciona 4 para obter a temperatura em graus Fahrenheit. Para Celsius, a versão mais simples é contar os chiados em 25 segundos, subtrair 40 e dividir por 7, embora existam várias versões simplificadas da fórmula.

Em outubro, o jardim vai-se progressivamente silenciando os grilos, não por escolha dos animais, mas porque abaixo de 7 a 8°C a temperatura mínima noturna impede o metabolismo muscular suficiente para a estridulação. O grilo que cantava todas as noites em setembro fica em silêncio progressivamente mais cedo à medida que as noites arrefecem.

O silêncio dos grilos em outubro é, literalmente, um termómetro. Quando parar completamente, a temperatura noturna desceu abaixo de 7°C.