As associações de apoio a imigrantes estão, agora, a incentivar uma participação mais ampla na greve geral marcada para 11 de dezembro e, assim, estimulam uma mobilização que ultrapassa fronteiras culturais. Além disso, estas entidades afirmam que a união entre imigrantes e portugueses é essencial para fortalecer a luta pelos direitos laborais.
Ao mesmo tempo, destacam que este momento representa uma oportunidade decisiva para mostrar o peso social e económico destas comunidades. Esta chamada à ação revela uma nova fase de envolvimento cívico.
Associações apelam aos imigrantes para que participem na greve geral. Entidades como a Solidariedade Imigrante e a Casa do Brasil vão apoiar a iniciativa, convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) e pela União Geral de Trabalhadores (UGT).
“Avançaremos pelo trabalho digno, pelo combate a todo o tipo de violências e de escravatura, mas também pela defesa dos direitos dos imigrantes“, destaca o comunicado da Solidariedade Imigrante. De acordo com a associação, imigrantes e portugueses precisam de estar lado a lado. “Todos vamos parar, é tempo de mostrarmos a força dos imigrantes ao lado dos trabalhadores portugueses“, acrescenta.
O apelo é para que todos os imigrantes participem na paralisação e não trabalhem nesse dia. “A Associação Solidariedade Imigrante apela a todos os trabalhadores imigrantes para que parem, aderindo à greve geral, na luta lado a lado com todos os trabalhadores”, reforça.
Segundo um estudo recente da Randstad, os imigrantes são maioritários nalgumas áreas de atividade em Portugal. É o caso da agricultura, a hotelaria, as limpezas e a construção civil.
A mobilização é motivada pelo pacote laboral proposto pelo Governo. Entre as principais alterações previstas estão o prolongamento da duração dos contratos a termo, o regresso do banco de horas individual, o fim do travão à contratação externa após despedimentos, a revisão das licenças parentais e o reforço dos serviços mínimos obrigatórios em caso de greve. Se a paralisação avançar, será a primeira greve geral com os maiores sindicatos unidos desde o ano de 2013.
