O Alto Tâmega e Barroso acolheu a apresentação oficial do Active – Centros de Empreendedorismo de Impacto, um projeto que pretende estimular novas respostas sociais, apoiar ideias inovadoras e criar soluções sustentáveis adaptadas às necessidades locais.

A iniciativa, promovida pela Fundação AEP – Associação Empresarial de Portugal em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso (CIMAT), abrange os seis concelhos da região e estará no terreno até 2027.

A sessão decorreu a 18 de novembro no auditório Luiz Coutinho, em Chaves, e contou com a presença de representantes das entidades parceiras, bem como dos primeiros técnicos que já iniciaram o trabalho de diagnóstico e articulação com instituições locais.

“Portugal deve ser olhado por inteiro”

Para Luís Miguel Ribeiro, presidente da Fundação AEP, este projeto surge de uma visão clara sobre o desenvolvimento nacional.

Segundo o responsável, “Portugal não é o Litoral ou o Interior: é um todo. E quando não olhamos para territórios como estes, estamos a cometer um erro enorme. Estes espaços de baixa densidade têm um enorme potencial de produção e podem contribuir fortemente para a criação de riqueza.”

O dirigente sublinhou que o Active se enquadra na estratégia da fundação, que aposta na coesão territorial, na valorização das pessoas e no desenvolvimento de soluções sustentáveis.

sustentáveis.

“O empreendedorismo de impacto social tem de ser acompanhado. É preciso testar, maturar e garantir que as ideias são sustentáveis, para que quem as desenvolve não fique vulnerável no futuro. O nosso papel é dar instrumentos, mentoria e apoio para que estas ideias possam crescer e transformar verdadeiramente o território”, sublinhou Luís Miguel Ribeiro.

Envelhecimento, isolamento e falta de respostas

O presidente da CIMAT em funções, e autarca da Câmara de Chaves, Nuno Vaz, destacou o contexto social da região e a necessidade urgente de novas respostas.

Nas suas palavras, “somos um território com enorme dispersão e uma população envelhecida, muitas vezes isolada, com pouca mobilidade e pouca rede de suporte. As instituições fazem um trabalho notável, mas os desafios são cada vez maiores.”

O autarca reforça que é essencial trazer inovação social para o território.

“Precisamos de novas abordagens, novas soluções e novas tecnologias que permitam melhorar a qualidade das respostas, muitas vezes com os mesmos recursos. Também é importante envolver jovens e instituições locais, numa lógica colaborativa e de cocriação.”

Nuno Vaz acrescentou que o Active poderá ser um catalisador importante.

“Estas populações, frágeis em vários aspetos, merecem que lhes possamos aumentar a qualidade de vida e até os níveis de felicidade. Este projeto pode ajudar a criar essa dinâmica social tão necessária.”

Coordenadora do projeto no Alto Tâmega e Barroso, Juliana Anjos apresentou o modelo de funcionamento dos Centros de Empreendedorismo de Impacto aos jornalistas.

O projeto terá um centro por cada concelho da região, com gestores de comunidade responsáveis por receber ideias, trabalhar propostas e apoiar a sua implementação.

Juliana Anjos sublinha que o foco está na transformação.

“Hoje medimos muito a quantidade, quantas pessoas estiveram numa ação, quantos participaram. O impacto social é outra coisa: é perceber que transformação é aquela ação que gerou a vida das pessoas e no território.”

Qualquer pessoa pode apresentar uma ideia, desde que pretenda desenvolvê-la no território.

“Podem ser cidadãos, jovens, empreendedores ou até instituições como IPSS, que queiram melhorar os seus serviços. A nossa missão é ajudar a identificar o problema, desenvolver a solução, criar o plano de negócio e acompanhar a implementação.”

O projeto já está a trabalhar em Chaves desde setembro, embora numa fase inicial de avaliação do ecossistema social.

“Ainda não recolhemos ideias porque estávamos a fazer o diagnóstico. Agora começa a fase de captação e dinamização”, revela a coordenadora do projeto.

Juliana Anjos sublinha ainda a pertinência de escolher o Alto Tâmega e Barroso como território de intervenção.

“Esta é uma zona praticamente sem iniciativas de inovação social, ao contrário de Lisboa, Porto ou o centro do país. Há aqui história, identidade e potencial enormes. A própria comunidade é que nos vai dizer quais são os problemas e as soluções, o nosso trabalho é ajudar a torná-las realidade.”

Um projeto que quer deixar marca

O Active vai decorrer até 2027 e pretende transformar ideias em soluções concretas, reforçando a coesão social e estimulando o empreendedorismo de impacto.

Com seis centros espalhados pelos municípios e uma equipa dedicada, o programa ambiciona criar novas dinâmicas, apoiar instituições e trazer inovação para um território onde, como referiu o presidente da comunidade intermunicipal, “há desafios profundos, mas também um enorme potencial humano e social por valorizar.”

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