Ele: Sim.
Ela: És como todos os outros… um cobarde, um infiel, um mentiroso.
Ele: Talvez tenhas razão.
Ela: Vai-te embora. Não quero voltar a ver-te nunca mais.
Ele: Está bem… mas deixa-me dizer algo, depois irei.
Sabes, o meu trabalho não se faz nem atrás de uma secretária, nem à frente de um ecrã. Levanto-me todos os dias às 3 da manhã. Não há horários fixos, nem verdadeiras pausas. É difícil, fisicamente e mentalmente.
Ela: Eu também trabalho muito, chego a casa exausta. No entanto, nunca fui infiel.
Ele: Sei. E não estou a tentar justificar-me.
Ela: Então, apressa-te, pega nas tuas coisas e vai-te.
Ele: Vou… mas ouve só mais um instante.
Quando chegava a casa, esgotado, quase partido…
Tomava sempre um banho, barba, punha um pouco de perfume. Para ti.
Forçava-me a sorrir. Para ti.
E, muitas vezes, tu nem o percebias.
À noite, esperava um momento a sós.
Mas cada vez que me aproximava, tu afastavas-me:
“Estou cansada. Tenho dor de cabeça. Tenho dor nos pés.”
Eu também estava exausto. Mas precisava de ti.
Não só fisicamente…
Precisava da tua presença, da tua atenção, do teu carinho.
Mas os dias passavam…
Os gestos desapareceram, os olhares também. Até um simples “boa noite” se tornou raro.
E depois, um dia, ela apareceu.
Não estava à procura de nada… mas ela viu-me. Ouviu-me. Teve tempo.
Esse tempo que já não me concedias.
Pouco a pouco, deslizei.
E nos braços dela, pensava ainda em ti.
Sentia-me culpado. Triste.
Mas no fundo, tinha apenas cansado… de implorar por um carinho, um olhar, uma palavra doce.
Sim, podes chamar-me de tudo.
Mas o que eu queria era apenas que nos reencontrássemos.
E isso… pedi-o durante demasiado tempo sozinho.
Reflexão:
Homem ou mulher… não esperem que seja tarde demais.
O amor não se gasta por causa das desavenças, mas pelo silêncio.
Não deixem que o dia a dia apague os gestos simples.
Um casal precisa de ser alimentado, todos os dias.
ᴬⁿᵗᵒ́ⁿᶦᵒ ᴹᵃᶜʰᵃᵈᵒ
