Dos que não erram, não hesitam. Dos que têm sempre a resposta certa, a postura correta.

A perfeição, vista de perto, cheira a embuste.

Ninguém sai ileso da vida sem ter mentido, sem ter amado da maneira errada, sem ter falhado de forma ridícula, irreversível. Os perfeitos insistem que sim. Dizem que são equilibrados, que nunca se perdem nas próprias sombras. É esse o perigo.

Tenho medo dos novos gurus.

Os que vendem felicidade em pacotes de três passos, os que prometem iluminação sem nunca terem pisado a escuridão. Garantem-te que é tudo uma questão de mindset, que a tristeza é uma escolha, que basta quereres muito, que a culpa é tua se não estás bem.

Prefiro os que tropeçam.

Prefiro os que vacilam, os que se sentam no meio da balbúrdia e riem da própria tragédia. Prefiro os amassados, os partidos, os que sabem que a vida é uma sequência de quedas.

As pessoas perfeitas assustam-me porque não existem. Se existem, estão a mentir.

Pedro Chagas Freitas