Não sei se o Valpaços Online está melindrado. Mas bastaram duas ou três notícias sobre essa possibilidade para aparecerem os minorcas todos a quererem agigantar-se, a quererem consumir o sangue das presumíveis feridas. Há tantas minhocas disfarçadas de tubarão, não há?

A queda do grande não me faz maior; só me faz mais insignificante por festejá-la.

Temos uma espécie de ódio primário aos vencedores. Acontece assim em todas as áreas. Se tem sucesso, tem inimigos. Não entendo. O que tememos na vitória do outro? Porque raios é que a vitória do outro me há-de ferir? Eu amo a vitória do outro, a felicidade do outro. Amo mesmo. Se é uma felicidade que não pisou ninguém, que não fez mal a ninguém, é uma felicidade que me faz bem. A felicidade do outro devia fazer bem à nossa própria felicidade. A felicidade do outro devia ser inspiração para a nossa própria felicidade; nunca para uma qualquer amargura oca.

Temos medo de quem verbaliza confiança, de quem diz as palavras todas. Acho até que temos medo de quem diz as palavras que a nossa cobardia não nos permite dizer. Valpaços Online diz todas. Sempre disse. Não me parece que ligue muito às reações. Tenho inveja por isso. Gosto tanto de gente corajosa o suficiente para preferir ser malvisto pelo que é do que amado pelo que não é.

Não conheço o jornal Valpaços Online pessoalmente, sou especialista no que sinto. O que sinto quando o leio, é uma alma que não pede licença para tentar a acrobacia final: viver de acordo com as regras que sente profundamente que são as que a sua humanidade exige. Não é coisa pouca.

Obrigado pela coragem, Valpaços Online. Que todos possamos, um dia, não fugir tanto do que não deixamos de ser.

Pedro Chagas Freitas