Especialistas alertam para indícios comportamentais que podem revelar uma dependência alimentar em crianças, especialmente de alimentos ultra processados, sendo crucial reconhecer os sinais cedo para intervir de forma saudável.
Alimentos altamente processados (“comida de plástico”) tornaram-se particularmente acessíveis e apelativos, o que está a levar pais e psicólogos a identificarem casos em que não se trata apenas de escolhas ocasionais, mas de comportamentos mais enraizados. (Segundo The Portugal News).
O psicólogo Dr. Manpreet Dhuffar‑Pottiwal aponta vários sinais de alerta, entre os quais:
- Desejos intensos para além da fome – a criança fixa-se em certos alimentos como doces ou batatas fritas, sofrendo se lhes for negado o acesso.
- Perda de controlo – continua a consumir junk food mesmo sentindo-se cheia, às vezes em segredo ou ultrapassando o nível de desconforto.
- Sintomas de abstinência – irritabilidade, mudanças de humor ou dores de cabeça quando o alimento apetecido não está disponível.
- Negligência de opções mais saudáveis – rejeição persistente de refeições equilibradas ou alimentos que antes apreciava.
- Impacto na vida quotidiana – evitar atividades sociais, queda no rendimento escolar ou sentimentos de culpa/vergonha relacionados com a alimentação.
Além disso, o psiquiatra Dr. Adarsh Dharendra explica que a química cerebral desempenha papel importante: o elevado teor em açúcar, gordura e sal desses alimentos dispara a libertação de dopamina, um neurotransmissor associado ao prazer. Com o tempo, o cérebro pode exigir mais desses alimentos para alcançar o mesmo grau de satisfação, favorecendo comportamentos compulsivos.
Para ajudar, os especialistas sugerem algumas medidas:
- Modelar hábitos alimentares equilibrados em casa, evitando classificar os alimentos como “bons” ou “maus”;
- Estabelecer uma rotina de refeições regulares;
- Envolver a criança na preparação das refeições para que se sinta parte do processo;
- Fazer substituições graduais dos alimentos ultraprocessados por opções menos processadas;
- Responder às necessidades emocionais sem recorrer à comida como consolo;
- Ajustar o ambiente doméstico para limitar a disponibilidade de junk food, sem recorrer a proibições rígidas;
- Manter uma abordagem compassiva, promovendo bem‑estar e mudanças graduais, em vez de pressão ou culpa.
