Há famílias que andam muito confusas em relação a este tema, Cremar ou Não?

Embora a Igreja não a proíba mais de forma absoluta, existe uma doutrina clara e respeitosa sobre como devemos tratar os restos mortais daqueles que partiram na esperança da Ressurreição.

​1. A Preferência da Igreja: O Sepultamento

​A Igreja Católica recomenda encarecidamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos. O sepultamento manifesta uma maior estima pelos falecidos e a fé na ressurreição da carne. O corpo humano, que foi templo do Espírito Santo, merece um local sagrado para aguardar o dia do Senhor.

​2. O que diz o Código de Direito Canónico?

​O Direito Canónico é direto sobre a permissão e os limites:

​”A Igreja recomenda vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos; mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido escolhida por motivos contrários à doutrina cristã”.

​3. As Condições do Catecismo

​O Catecismo da Igreja Católica (n. 2301) reforça que a cremação é admitida “desde que não exprima uma negação da fé na ressurreição dos corpos”. No entanto, a Igreja proíbe terminantemente:

​- Espargir as cinzas na natureza (mar, terra, ar);

​- Conservar as cinzas em casa;

​- Transformar as cinzas em joias ou outros objetos.

As cinzas devem ser depositadas num lugar sagrado (cemitério ou columbário).

​4. A Sabedoria da Patrística

​Desde o início, os Santos Padres defenderam o respeito ao corpo. Santo Agostinho, em sua obra “O Cuidado Devido aos Mortos”, ensina que os funerais e a escolha do sepulcro não são meros consolos para os vivos, mas atos de piedade que reconhecem a dignidade do corpo que serviu à alma. Para os cristãos primitivos, o cemitério (do grego koimeterion) significa “dormitório”, pois a morte é um sono que precede o despertar da ressurreição.

​5. A Luz da Sagrada Escritura

​A nossa fé baseia-se na vitória de Cristo sobre a morte. São Paulo lembra-nos da nossa identidade:

​”Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6, 19).

​O sepultamento imita o próprio Cristo, que foi depositado num sepulcro novo, santificando a terra e preparando o caminho para a glória final.

​Conclusão: Se a família optar pela cremação por razões legítimas (saúde pública, economia ou vontade do falecido), deve fazê-lo garantindo que as cinzas repousem em solo sagrado, onde a comunidade possa rezar por aquela alma e onde a memória do fiel seja preservada com a devida reverência católica.

Adelaide Oliveira