Os condutores idosos envolvem-se em menos acidentes do que os mais jovens, mas essa diferença pode estar relacionada com a quilometragem percorrida e não necessariamente com a segurança ao volante.
De acordo com o site especializado ‘Auto Magazine’, o relatório de segurança rodoviária de 2024, mostra que os idosos são menos propensos a acidentes do que os condutores entre os 18 e os 24 anos, embora conduzam muito menos quilómetros por ano.
Enquanto a Europa discute o fim das cartas de condução vitalícias e pondera exames médicos obrigatórios, existe um debate que divide opiniões: de um lado, as vítimas de acidentes, como a tenista Pauline Déroulède, atropelada por um condutor de 92 anos, defendem avaliações regulares da aptidão para conduzir, do outro, muitos residentes rurais receiam perder mobilidade se forem impostas restrições severas.
Responsabilidade aumenta com a idade
Os condutores com mais de 75 anos registam as maiores taxas de responsabilidade em acidentes mortais. Dados de 2019 mostram que 82% dos condutores dessa faixa etária foram considerados responsáveis pelos acidentes fatais em que estiveram envolvidos, superando os 77% dos jovens entre 18 e 24 anos. As causas mais comuns são problemas médicos (22%) e o não cumprimento da sinalização (18%), ambos associados ao declínio das capacidades de condução com a idade.
Menos quilómetros, mas risco comparável
A pandemia da Covid-19 alterou também os hábitos de mobilidade dos mais velhos. Três em cada dez idosos conduzem menos desde 2021, e a quilometragem média continua a diminuir. Embora conduzam menos e representem uma parte menor da população ativa, os seus índices de mortalidade e de responsabilidade permanecem próximos dos jovens condutores.
Em termos proporcionais, por quilómetro percorrido, os idosos não são necessariamente mais seguros ao volante do que os condutores mais jovens, uma conclusão que mantém o debate aberto sobre o futuro das cartas de condução e os limites etários na estrada.
