Esta foto, é de um estacionamento corporativo no Japão, diz mais sobre cultura do que mil livros de sociologia.
Observe bem: as vagas “premium”, aquelas logo em frente à porta de entrada, estão totalmente vazias. Todos os carros estão estacionados lá no fundo, nas vagas mais distantes, sob chuva ou sol. Porque alguém faria isto voluntariamente?
No Japão, existe um pilar cultural chamado Omoiyari, que pode ser traduzido como “pensar nos sentimentos e necessidades do outro antes dos seus”. A lógica dos funcionários é simples e genial: “Eu cheguei cedo, então tenho tempo de sobra para caminhar. Se eu estacionar à frente, vou prejudicar um colega que, por algum imprevisto (trânsito, filhos, emergência), chegue atrasado e precise de entrar a correr.”
No Ocidente, a nossa lógica é baseada na competição e na “lei da selva”: “Cheguei primeiro, o melhor lugar é meu”. É a meritocracia do horário. No Japão, a prioridade é a harmonia e a eficiência do grupo. Deixar a vaga fácil livre é um ato de gentileza silenciosa. Ninguém pediu, não há sinais a proibir estacionar ali, mas a consciência coletiva fala mais alto.
Este comportamento reflete-se em tudo, como por exemplo: após um jogo, limpar o próprio lixo no estádio de futebol, não falar ao telemóvel em transportes públicos, para não incomodar, usar máscara quando se está gripado. É uma sociedade desenhada para minimizar o atrito entre as pessoas.
Se isto fosse implementado na sua cidade amanhã, funcionaria?
