O Estado Português avança com 110 milhões para o lítio em Boticas e gera revolta local. Autarquia e ambientalistas contestam decisão.
O Executivo decidiu avançar com um apoio financeiro de 110 milhões de euros, não reembolsável, à empresa britânica Savannah Resources para o projeto de exploração de lítio no concelho de Boticas, em Trás-os-Montes. A decisão gera forte polémica política, social e ambiental.
Em relação aos termos definidos, o financiamento será atribuído em duas fases distintas. Cerca de 75 por cento do montante, correspondente a 82,2 milhões de euros, destina se às despesas iniciais de desenvolvimento do projeto. Os restantes 25 por cento, num total aproximado de 27,4 milhões de euros, ficam dependentes do cumprimento de metas de desempenho durante a fase operacional.
A autarquia local ficou surpreendida pela decisão. O presidente da Câmara Municipal de Boticas, Guilherme Pires, afirmou que não houve qualquer esclarecimento prévio à população ou às entidades locais, classificando a medida como um desrespeito institucional. O autarca sublinha que o projeto é apresentado como um dado adquirido, apesar de não existir ainda aprovação definitiva.
As críticas estendem se ao plano ambiental. A associação Zero manifesta fortes reservas, alertando para aquilo que considera ser uma transferência de riscos e custos para os contribuintes. Segundo a organização, os cidadãos acabam por pagar uma tripla fatura: o subsídio direto à empresa, o risco de um projeto que pode não se concretizar e os impactos ambientais, sociais e económicos potencialmente irreversíveis.
Na população local cresce o descontentamento face à utilização de dinheiros públicos para apoiar um projeto privado, com receios de destruição do património natural e agrícola e dúvidas quanto aos benefícios reais para a comunidade.
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