A linha do Corgo é uma linha férrea de 96 quilómetros e ligava Régua a Vila Real e Chaves.

Uma petição que defende a reabertura da linha ferroviária do Corgo, mereceu um amplo consenso por parte de todos os partidos assentes na Comissão de Infra-Estruturas, Mobilidade e Habitação, da Assembleia da República, que se manifestaram a favor dessa pretensão embora alguns deputados, mais cautelosos, preferissem, para já, a realização de estudos de viabilidade técnica, ambiental e territorial, destinados a fundamentar essa decisão.

No final, o relatório afirma que da audição parlamentar resultou uma convergência generalizada quanto à relevância histórica, territorial e social da Linha do Corgo, bem como quanto à necessidade de reforçar a mobilidade ferroviária no interior.

Daniel Conde, um verdadeiro transmontano, levou a petição com mais de mil assinaturas à Assembleia da República, dissendo que o encerramento da linha do Corgo deixou uma região inteira completamente refém do transporte rodoviário, não por escolha, mas por imposição do Estado.

Perante os deputados, Daniel Conde rejeitou a ideia de que, por existirem boas estradas, autocarros e automóvel particular, a ferrovia seja dispensável na região. De resto, a existência de modernos eixos rodoviários em Trás-os-Montes não resolveu o isolamento de vastas áreas do território, dando o seu próprio exemplo em que, para chegar à A4 tem de percorrer cerca de 70 quilómetros por estradas nacionais. O traçado da linha do Corgo passa junto de importantes pólos geradores de tráfego.

Em Chaves passa junto ao estádio, mercado municipal, termas e hospital. A linha poderia servir, como já serviu, as termas de Vidago e Pedras Salgadas, bem como, hoje, a zona industrial de Sabrosa de Aguiar, a estação central de Vila Pouca de Aguiar e o Centro de Saúde de Mateus. Em Vila Real, a UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro) poderia ser directamente servida pela linha.

Daniel Conde disse que existem tabus e preconceitos sobre a ferrovia do interior, alegando que mesmo com velocidades médias de apenas 60 km por hora, esta Linha poderia ser competitiva em determinados percursos, recusando a ideia de uma linha do Corgo seria exclusivamente voltada para o turismo, afirmando que essa componente é importante e ajuda a viabilizar a sua abertura, mas que a mesma deve também servir a mobilidade das populações da região.

Recordou ainda que o traçado da Linha atravessa uma parte do Douro Vinhateiro Património da Humanidade e um dos eixos termais mais conhecidos e procurados do país (Pedras Salgadas, Vidago e Chaves). Poderia ainda funcionar como porta de entrada para territórios como o Gerês, o Alvão e o Marão.

Os partidos políticos manifestaram-se a favor da pretensão, mas os deputados mais à direita enfatizaram a necessidade de avançar com estudos que justificassem a reabertura, enquanto, os deputados da esquerda defenderam um caminho mais rápido para a reabertura daquela via férrea, a qual, de resto, está marcada no Plano Ferroviário Nacional.

Esta é a segunda petição para a sua reabertura que Daniel Conde apresenta na Assembleia da República.