Segundo o mais recente estudo do Statec – Instituto Nacional de Estatísticas, sobre rendimento familiar e condições de vida, 29,2% dos portugueses residentes estão em risco de pobreza, um valor bem acima da média nacional.
Além dos portugueses, há outros grupos particularmente afetados, como famílias monoparentais (40,5%), casais com três ou mais filhos (36,7%) e inquilinos (23,7%).
As mulheres continuam mais vulneráveis do que os homens, com taxas de 15,4% e 14,2%, respetivamente. Entre os jovens, a situação é ainda mais preocupante, com 22,2% dos menores (cerca de um em cada cinco) em risco de pobreza.
No total da população, a taxa de pobreza fixou-se em 14,8% em 2025, o que corresponde a cerca de um em cada sete habitantes. Este indicador refere-se a pessoas com rendimentos abaixo do mínimo considerado necessário, que no Luxemburgo é de 2.502 euros por mês para uma pessoa sozinha.
Mas este não é o único indicador. O risco de pobreza ou exclusão social, usado a nível europeu, é mais abrangente e inclui também pessoas com grandes dificuldades materiais ou agregados com pouco trabalho. Nesse caso, sobe para 18,2% da população.
Os dados resultam do inquérito europeu EU-SILC, que passou a incluir, pela primeira vez, dados administrativos, permitindo resultados mais fiáveis e precisos sobre rendimentos e condições de vida.
Ainda segundo os números do estudo, o rendimento mediano disponível atingiu 6.522 euros por agregado, enquanto o nível de vida mediano foi de 4.170 euros por pessoa.
Apesar destes valores, as desigualdades persistem. Os 20% mais ricos têm rendimentos 4,6 vezes superiores aos 20% mais pobres, mostrando que a distribuição da riqueza continua a ser desigual no país.
O estudo destaca ainda o papel das prestações sociais. Sem estes apoios, 26,5% da população estaria em risco de pobreza. Com as ajudas do Estado, esse valor desce para 14,8%, uma redução de cerca de 12 pontos percentuais.
