Há quem trate o próprio quintal como se fosse uma selva encantada, uma reserva intocada onde o mato cresce como dono da casa, e depois ainda exija bombeiros ao domicílio em modo VIP, como se a emergência fosse um serviço de luxo.
Não limpa, não previne, não mexe um dedo para evitar o desastre , e muitas vezes nem sabe quem o protege, nunca se deu ao trabalho de conhecer a corporação que o serve , mas quando o fogo aparece, surgem logo os doutorados de sofá em combate a incêndios, com indignação premium, memória curta e certezas instantâneas sobre tudo o que devia ter sido feito.
Prevenir dá trabalho. Muito trabalho. Já culpar quem chega depois de tudo estar a arder é um desporto bem mais confortável, sem esforço físico nenhum, enquanto a responsabilidade evapora e o terreno fica entregue ao abandono como se nada fosse com ninguém.
Enquanto isso, há quem fique em casa à espera de quem saiu para salvar o que não lhe pertence. E ainda tenha de assistir, pela televisão, jornais e pelas redes sociais, a acusações, exigências e lições de coragem dadas por quem não teve sequer coragem de limpar o próprio terreno.
Ver os nossos bombeiros arriscarem a vida para proteger o que outros abandonaram e, no fim, ainda serem tratados como culpados pelo desastre alheio não é apenas injusto. É uma falta de vergonha!
