Houve uma altura em que ainda o procurei nos bolsos dos casacos que estão guardados só porque temos medo de deitar fora o passado, mas nunca neles encontrei nenhum bocadinho dessa felicidade antiga.

Talvez o tempo seja um bolso roto, talvez seja assim que perdemos a infância. Não sei.

Sei que o Natal se acendia nos candeeiros de petróleo e que as luzes de agora, embora mais fortes e mais intensas, não exercem sobre mim o mesmo fascínio, nem deixam que as sombras se agitem nas paredes e contem histórias nessa ausência feliz do que viria.

Eu desabafei com um grande amigo de longa data, sobre como o Natal que se está a tornar chato, perdendo o espírito natalino que existia antes. Refleti se o Natal realmente está a ficar sem graça ou se, ao crescer, começamos a ver o que não percebíamos quando éramos crianças.

Quando éramos pequenos, tudo parecia alegre e a família era mais unida. As emoções eram mais positivas, todos se amavam, e o Natal era mágico. Mas será que era mesmo assim? Agora que somos adultos, vemos os bastidores, as brigas familiares, as tensões durante a preparação da ceia. Todos os anos parecem seguir o mesmo padrão: brigas familiares seguidas por uma tentativa de fingir que tudo está bem.

Parece que, quando éramos crianças, só víamos a parte feliz, enquanto os conflitos eram escondidos de nós. Talvez os adultos daquela época estivessem a passar pelo que nós, jovens, sentimos hoje. As crianças, por sua vez, estão a divertirem-se, alheias às tensões nos bastidores.

É como se houvesse um ciclo interminável. As crianças de hoje, no futuro, podem olhar para trás e pensar que o Natal era mais feliz antes, enquanto nós, agora, sentimos que o Natal atual tem pouca graça. Talvez seja uma percepção que se repete ao longo das gerações, à medida que as pessoas percebem a parte desafiadora da vida conforme envelhecem.

Esta é minha opinião, não sei se mais alguém já pensou nisso e se esta ideia faz sentido para outras pessoas.

ᴾᵃᵘˡᵒ ᴬʳᵃᵘ́ʲᵒ