Há cada vez mais portugueses a optar por fazer a viagem de avião para as férias na terra natal e contratar uma transportadora para levar o seu automóvel para Portugal e depois, no regresso, para o Luxemburgo ou outros países europeus. As vantagens de ter o próprio carro nas férias são várias.

“A partida para Portugal, no início das férias, não tem de ser cansativa com uma viagem de 20 horas de estrada”, diz Sandra Fonseca, que juntamente com marido, Carlos, já está a fazer as malas no Algarve para regressar ao Luxemburgo.

Este casal tem optado por uma alternativa “mais prática e confortável” e que está a conquistar cada vez mais portugueses no Luxemburgo nas viagens das férias de verão no país natal: contratar uma transportadora para levar o carro para Portugal, mas viajar de avião.

“Viajamos para Portugal de avião e enviamos o nosso automóvel pela transportadora. Fazemos uma viagem calma de apenas três horas e quando chegamos à Figueira da Foz já temos o nosso carro à porta”, conta Sandra Fonseca, de 50 anos.

Um problema de saúde levou-a a adotar esta solução: “É a melhor. Assim não temos de fazer tantos quilómetros cansativos por estrada, nem estamos parados em filas imensas em França, na vinda para Portugal. Partimos nas férias coletivas quando viaja muita gente para a terra”.

Além de que “sai mais barato do que alugar um carro em Portugal”. Sandra conta que por três semanas “chegam a pedir mais de dois mil euros”. “Compensa muito mais trazer o nosso carro”, diz Sandra.

O automóvel do casal, um Seat Arona, parte uma semana antes dos donos, mas na bagageira Sandra e Carlos colocam já as malas de roupa e tudo o que precisam para as férias, para irem “leves” na viagem de avião. “A transportadora vem buscar o carro, leva-o na quinta-feira e ele chega no sábado a Portugal. O meu cunhado vai buscá-lo”. “Como os nossos filhos já são adultos e somos só nós os dois, preferimos fazer a viagem de avião para cá”.

Durante a estadia no país natal, o casal aproveita para passear e “sabe bem ter o nosso próprio automóvel”. Além dos dias no Ribatejo e Figueira, as terras de origem, o casal ainda passeou pelo Douro, Alentejo e Algarve. Agora, no regresso, o casal optou por fazer a viagem de estrada para o Luxemburgo. “Vamos nas calmas durante uma semana e aproveitamos para passear por Espanha e França, sem pressas”, vinca a portuguesa.

Transporte automóvel. Preços mínimos entre 550 a 750 euros por viagem

Nesta nova tendência de viagens de férias entre Luxemburgo e Portugal pelos imigrantes, viajar de avião e enviar o carro pela transportadora é a escolha feita para a ida e para a volta. Em média, o valor mínimo de um transporte de automóvel numa transportadora pode variar entre 550 a 750 euros, de acordo com os valores avançados por duas transportadoras ao Contacto. Valor para uma só viagem de ida ou de volta, valor que vai subindo dependendo da marca do automóvel (o seu peso) e do local de entrega.

Uma semana antes de chegar, Sandra Alves já tinha o seu Volvo XC 90 em casa dos pais, no concelho de Mafra, à sua espera. Em geral, as transportadoras demoram entre dois dias a dois dias e meio a fazer a viagem entre Luxemburgo e Portugal. Esta portuguesa passa dois meses de verão em Portugal com os dois filhos pequenos. O marido junta-se à família por três semanas.

Prefiro viajar com os dois filhos e o nosso cão de avião do que fazer o percurso por estrada, é uma viagem de mais de 2.000 quilómetros, cansativa

Sandra Alves

Avião mais transportadora

“Prefiro viajar com os dois filhos e o nosso cão de avião do que fazer o percurso por estrada, é uma viagem de mais de 2.000 quilómetros, cansativa”, sublinha esta portuguesa que desde 2021 opta pelo avião e envia o automóvel pela transportadora.

Na bagagem do seu veículo aproveita para “levar roupas e calçado infantil para dar em Portugal” e no regresso ao Luxemburgo traz “vestuário para os filhos usarem nos tempos de escola” que compra nos saldos portugueses.

Os dois Paulos Aleixo, pai e filho, da Auto Silva Aleixo, junto aos camiões já carregados de automóveis para levar do Luxemburgo para Portugal.

Durante os dois meses de estadia no país dos pais, além das visitas à família na zona de Mafra e Oliveira do Hospital, Sandra Alves aproveita para conhecer novos locais em Portugal e até terras espanholas. Este ano, já foi a Marbella. Por isso, prefere conduzir o seu próprio automóvel do que um veículo alugado em Portugal.

“Compensa mais trazer o meu carro”, realça. A data de regresso da família ao Luxemburgo está marcada para 5 de setembro, mas uma semana antes, a transportadora irá buscar o Volvo de Sandra Alves para o levar para casa. Quando chegar ao Grão-Ducado tem o carro estacionado em casa.

É “mais barato” levar o carro do que alugar em Portugal

Cada vez mais os portugueses do Luxemburgo estão a adotar esta opção articulada da família de avião e automóvel na transportadora para o verão em Portugal, como confirmam ao Contacto os proprietários de duas transportadoras.

A explosão dos preços dos ‘rent a car’ em Portugal é uma das principais razões que levam os portugueses do Grão-Ducado a enviar os seus automóveis por transportadoras

Paulo Aleixo

Proprietário de transportadora

“O pedido de envio de automóveis por transportadora teve um aumento significativo logo depois da pandemia, desde 2021, e cada ano temos mais clientes entre julho e setembro”, afirma Paulo Aleixo, da Auto Silva Aleixo, que tem já camiões completos com automóveis para transportar esta semana do Luxemburgo para Portugal.

“A explosão dos preços dos ‘rent a car’ em Portugal é uma das principais razões” que levam os portugueses do Grão-Ducado a enviar os seus automóveis por empresas especializadas.

“Fizeram as contas e viram que saía e sai mais barato levar o carro do que alugar um veículo em Portugal, sobretudo um utilitário para ficar mais em conta”, esclarece Paulo Aleixo. Para alugar um carro bom o preço dispara. “Preferem ter o próprio automóvel, que é melhor”, frisa este empresário.

Por outro lado, muitos portugueses adquiriram veículos elétricos que, ao início, não estavam preparados para viagens tão longas, “havia falta de postos de carregamento e estes levavam muito tempo, o que tornava a viagem mais demorada”. Os proprietários optaram também por contratar transportadoras de automóveis e viajar de avião. Paulo Aleixo refere também os inconvenientes das horas da viagem por estrada e “as longas filas de trânsito em França” que são um tormento.

Todo este conjunto de fatores gerou o aumento da procura pelas transportadoras. Em julho, a empresa de Paulo Aleixo transportou “87 viaturas” de clientes para as férias em Portugal, um número superior ao do ano passado. “O pico é no final de junho e julho, o mês das férias coletivas, depois o retorno é feito em setembro e início de outubro. Mesmo assim, nestes meses a procura é cada vez maior, com a ida e vinda de automóveis”, explica Paulo Aleixo.

A Auto Silva Aleixo tem quatro camiões de transporte de automóveis, cada um leva oito carros, mas nestes meses de verão tem de recorrer a parceiros devido ao aumento da procura, ressalva o seu proprietário. No geral da frota fazem três a quatro viagens por semana, entre ida e volta. “O preço ronda os 650 a 750 euros, valor que sobe dependendo da localidade de entrega e do peso da carga (automóveis mais pesados). Contudo, a transportadora de Paulo Aleixo faz a entrega dos veículos nos três aeroportos de Portugal, deixando os automóveis nos parques privativos.

No regresso, os clientes saem do Findel e podem ter o automóvel também num parque, logo ali. “Assim o cliente sai do avião e tem o seu carro à espera”. A par com os veículos há portugueses que também enviam as suas motas. “Transportamos o carro e a mota, porque nesta época há várias concentrações de motards em Portugal e os nossos clientes aproveitam para ir”, destaca Paulo Aleixo.

Automóveis topo de gama e de luxo

O parque automóvel do Luxemburgo é dos mais novos e com mais automóveis topo de gama da Europa e os carros dos imigrantes portugueses não são exceção.

Tanto Paulo Aleixo, como a transportadora José Martinho Pereira, tem à sua responsabilidade o transporte de veículos topo de gama e de luxo dos portugueses para as férias no país natal.

Há portugueses que desejam levar para Portugal os seus melhores carros, como Porsches e Ferrari 

José Martinho Pereira

Proprietário de transportadora

Ambos dizem que transportam muitos BMW, Mercedes, Audio, mas também Porsche e Ferrari. “Há portugueses que desejam levar para Portugal os seus melhores carros, como Porsches e Ferrari. No Luxemburgo, é raro andar com eles, pois não são carros para andar todos os dias”, conta ao Contacto José Martinho Pereira. E, ano após ano, diz que transporta cada vez mais automóveis de luxo.

Também para este empresário os meses de verão são “o período alto” do negócio de transporte de automóveis entre Luxemburgo e Portugal. “Está a aumentar de ano para ano, temos tido cada vez mais clientes. As famílias vêm de avião e enviam os carros”, afirma. “Entram no avião no Findel e em três horas estão de férias em Portugal”.

José Martinho tem um camião só para automóveis e outros três pesados para mercadoria com reboque para quatro carros, que nas férias de verão passam a vida na estrada. Aliás, por a procura ser tanta, este empresário até indica outra transportadora aos clientes para levar os automóveis. “Foram pelo menos quatro cargas, de oito a nove carroas”.

“Na altura do Verão carrego no Luxemburgo e descarrego perto de Coimbra, na minha casa”. Os clientes ou vão ali buscar ou entrega entrega na morada desejada, mas isso implica um aumento do custo, consoante o local. O mínimo cobrado para um transporte de automóvel são entre “550 a 600 euros”, subindo o valor consoante o peso e o local de entrega.

No regresso ao Luxemburgo, os automóveis vão um pouco mais pesados devido às bagageiras cheias com produtos alimentares portugueses, diz, a rir, José Martinho Pereira. “Aproveitam para levam batatas, azeite, fumados, enchidos da família, é diferente do que comprar no Luxemburgo”.

A partir de dia 21 de agosto intensificam-se as viagens de regresso. “Já tenho os camiões cheios para levar para o Luxemburgo”. José Martinho e Paulo Aleixo não têm dúvidas: se mais lugares houvesse, mais transportes de automóveis fariam entre Luxemburgo e Portugal.

ᶠᵒⁿᵗᵉ ᶜᵒⁿᵗᵃᶜᵗᵒ