Em Portugal, o azeite e o vinho terão as tarifas reduzidas e eliminadas ao longo dos anos.

Os representantes de ambos os blocos estiveram presentes no Grande Teatro José Asunción Flores do Banco Central do Paraguai, na capital Assunção, um local carregado de simbolismo, pois foi ali que o Mercosul foi lançado, em 1991.

O anfitrião do encontro foi o presidente paraguaio, Santiago Peña, cujo país exerce a presidência rotativa do Mercosul, com a delegação europeia a ser chefiada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Segundo fontes oficiais paraguaias, citadas pela agência de notícias espanhola Efe, estiveram igualmente confirmadas a presença dos líderes da Argentina, Javier Milei, do Uruguai, Yamandú Orsi, do Panamá, José Raúl Mulino, e da Bolívia, Rodrigo Paz.

O acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores e que, juntos, representam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 22 biliões de dólares (19 biliões de euros), segundo dados da Comissão Europeia.

Para a UE, o tratado abre as portas de um mercado historicamente protegido aos seus setores industriais mais competitivos, entre os quais se destacam a indústria automóvel e a maquinaria industrial, onde as atuais tarifas entre 35% e 14% desaparecerão progressivamente.

Outros setores que beneficiarão de forma especial serão o químico e o farmacêutico, bem como produtos agroalimentares protegidos por denominações de origem, como os vinhos e os queijos.

No caso de Portugal, o azeite e o vinho (duas das maiores exportações portuguesas para o gigante mercado brasileiro) terão as tarifas reduzidas e eliminadas ao longo dos anos.

A assinatura só foi possível depois de, na semana passada, os 27 países da União Europeia terem alcançado uma maioria qualificada para validar o acordo, apesar dos votos contra de França (principal opositor), da Polónia, da Áustria, da Irlanda e da Hungria, e da abstenção da Bélgica.

Para alcançar a maioria qualificada foi necessário negociar salvaguardas adicionais para os agricultores europeus, que têm continuado a manifestar-se nos últimos dias contra o acordo, e que serviram para convencer Itália, mas não foram suficientes para que Paris também se juntasse.

No entanto, a ‘luz verde’ dos países da União Europeia para assinar o acordo com o Mercosul poderá enfrentar os derradeiros obstáculos, sobretudo no processo de ratificação no Parlamento Europeu, durante 2026.

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