Ainda fui criado num tempo em que a roupa boa era só para o domingo.
Ao domingo de manhã era assim: vestia-se a melhor roupa, engomada e bem composta, e juntavam-se à esquina da taberna, encostados às bicicletas, entre conversas, risos e olhares atentos. Não era só para passar o tempo, era também para impressionar as raparigas que iam passando.
Momentos simples, cheios de orgulho, tradição e vida de aldeia, onde cada detalhe contava e cada domingo ficava na memória.
Não se interrompia os adultos, comia-se o que estava na mesa, e não existia o “não gosto”… até exista mas… comia-se.
Brinquedos, roupa ou sapatos passavam de uns para os outros. Roupa nova com etiqueta? Só no Natal, Páscoa e aniversário.
Tínhamos pouco, achávamos nós, mas havia uma coisa que tínhamos de sobra: RESPEITO! Aprendíamos a agradecer, a cuidar do que tínhamos e a não exigir aquilo que os nossos pais não podiam dar. E, acima de tudo, a perceber que nem tudo na vida era: eu quero! Eu posso! Eu tenho!
Hoje as coisas são tão diferentes, mas ninguém me convence que fomos mal criados.
Talvez tivéssemos menos coisas mas aprendemos valores que não vinham com etiqueta.
Se hoje é difícil educar e dizes tantas vezes que os tempos são outros, pois, então educa da mesma forma que foste educado. Porquê? Porque a educação não tem tempo nem moda. Educação é humanizar-se não para o futuro mas para o agora.
Um dia muito feliz para todos.
Paulo Araújo
