O novo passaporte português está prestes a passar por uma das transformações mais significativas das últimas décadas. A partir do segundo trimestre de 2026, os cidadãos portugueses poderão obter um documento de viagem com validade de 10 anos, duplicando o período atual de cinco anos. Esta mudança insere-se num conjunto de medidas de simplificação e modernização dos serviços públicos em Portugal.

O que muda com o novo passaporte

A partir do segundo trimestre de 2026, o passaporte português terá o prazo de validade alargado para 10 anos, representando uma alteração estrutural na forma como os portugueses gerem a documentação de viagem. Esta medida, anunciada pelo Governo português, visa reduzir a burocracia e facilitar a vida de quem viaja com frequência para destinos fora da União Europeia.

A extensão da validade aplica-se exclusivamente aos adultos. Para menores de idade, mantém-se o prazo de cinco anos, uma prática alinhada com a maioria dos países europeus e justificada pela alteração mais rápida das características físicas das crianças ao longo do crescimento.

Motivações para a mudança

Durante anos, os cidadãos portugueses manifestaram insatisfação com a curta validade do passaporte nacional, especialmente quando comparado com outros países da União Europeia. Em Espanha, por exemplo, o passaporte tem validade de 10 anos, enquanto Portugal mantinha apenas cinco.

A atual validade obrigava a deslocações constantes aos balcões de atendimento, gerando custos, tempo perdido e maior pressão sobre os serviços. A ampliação do prazo procura aliviar estas pressões.

Reforço da segurança e tecnologia

A extensão da validade não é apenas uma questão administrativa. Porque o passaporte é um documento de viagem essencial, o aumento do prazo de validade exige ajustes significativos nas medidas de segurança. Serão introduzidos mecanismos de proteção adicionais, destinados a prevenir falsificações e assegurar que o documento se mantém fiável durante toda a década de circulação.

O novo modelo incorporará tecnologias biométricas avançadas e sistemas de segurança atualizados, em conformidade com os padrões internacionais definidos pela ICAO, a organização da aviação civil internacional que estabelece as normas para documentos de viagem. Esta modernização tecnológica também está relacionada com a implementação do Sistema de Entrada e Saída da União Europeia, que substitui os tradicionais carimbos por registos digitais baseados em biometria.

Implementação e calendário

Para coordenar o desenvolvimento do novo modelo de passaporte, o Governo português criou um grupo de trabalho que tem como missão conceber, desenvolver e implementar o novo documento. Este grupo, criado por despacho publicado no Diário da República, já apresentou as suas conclusões e recomendações ao Ministério da Justiça.

O despacho determina que o novo modelo deve ser disponibilizado a partir do segundo trimestre de 2026, embora ainda não exista uma data concreta para o arranque. A transição será gradual e supervisionada pelos serviços responsáveis pela identificação civil.

Vantagens para os cidadãos

A duplicação da validade do passaporte traz benefícios concretos para quem viaja com regularidade. Menos renovações significam menos deslocações a serviços públicos, menos tempo de espera e menos custos ao longo de uma década. Para quem planeia viagens de longo prazo ou necessita de manter a documentação sempre atualizada por motivos profissionais, a extensão da validade representa maior comodidade e previsibilidade.

O que acontece aos passaportes atuais

Os passaportes emitidos antes da entrada em vigor do novo modelo mantêm-se válidos até à data de expiração indicada no documento. Não existe obrigatoriedade de substituição imediata. Quem possui um passaporte com validade de cinco anos pode continuar a utilizá-lo normalmente até ao fim do prazo.

Para quem está a planear renovar o passaporte nos próximos meses, convém avaliar a situação individual. Se não houver viagens urgentes marcadas e o passaporte atual ainda tiver alguns meses de validade, poderá valer a pena aguardar pelo lançamento do novo modelo. Desta forma, o próximo passaporte terá automaticamente 10 anos de validade.

No entanto, quem precisar de viajar antes da disponibilização do novo modelo terá de renovar o documento com a validade atual de cinco anos. Não é aconselhável adiar viagens ou deixar expirar o passaporte à espera da nova versão.

Custos de emissão e renovação

Os valores associados à emissão do passaporte português deverão manter-se inalterados com a introdução do novo modelo. O custo base é de 65 euros para o serviço normal, com prazo de entrega de cinco dias úteis. Para quem necessita do documento com maior urgência, existe a opção de serviço urgente por 85 euros (dois dias úteis) ou muito urgente por 95 euros (um dia útil).

A entrega do passaporte ao domicílio acrescenta 10 euros ao custo base. No caso de não devolução do passaporte anterior aquando da renovação, é cobrada uma taxa adicional de 40 euros.

Quando e onde pedir o novo passaporte

Assim que o novo modelo estiver disponível, o processo de pedido mantém-se idêntico ao atual. O passaporte pode ser solicitado presencialmente em conservatórias do registo civil, lojas de cidadão, lojas do passaporte nos aeroportos de Lisboa e Porto, ou em consulados portugueses no estrangeiro.

É necessário apresentar o Cartão de Cidadão válido. A fotografia é tirada no local de atendimento, pelo que não é necessário levar fotografias. Recomenda-se evitar vestuário branco para garantir a qualidade da imagem. O agendamento prévio através da aplicação Siga ou do portal online continua a ser aconselhado para evitar tempos de espera desnecessários.

Como qualquer reforma estrutural nos serviços públicos, a implementação do novo passaporte poderá gerar períodos de maior procura nos balcões, especialmente próximo da data de lançamento. Convém planear com antecedência e evitar deixar a renovação para a última hora. O novo passaporte representa um passo importante na modernização administrativa em Portugal, conjugando maior comodidade para os cidadãos com reforço da segurança documental.